Nota de Viviane Barci Sobre Uso de Jatinhos Levanta Suspeitas de Conflito de Interesses
Uma nota de esclarecimento divulgada pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, trouxe à tona novos questionamentos sobre o uso de jatos particulares ligados ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo uma análise do administrador de empresas João Luiz Mauad, que ganhou repercussão nas redes sociais, os detalhes expostos na própria defesa da advogada evidenciam uma ligação financeira indireta entre a instituição financeira e as viagens do ministro.
Os Pontos Críticos da Nota
De acordo com a análise do caso, dois elementos principais chamam a atenção na justificativa apresentada pelo escritório de Viviane Barci:
Viagens Solitárias do Ministro: Dos oito voos relatados em aeronaves ligadas a Vorcaro e Fabiano Zettel, o ministro Alexandre de Moraes viajou sozinho — sem a presença da esposa — em quatro ocasiões. Contudo, a nota afirma que os custos eram bancados pelo escritório da advogada.
O Método de Pagamento (O “Batom na Cueca”): O escritório alegou que contrata serviços de táxi aéreo (como a Prime Aviation) por critérios puramente operacionais. No entanto, a nota revelou que o custo dessas contratações era descontado dos honorários que a advogada recebia por sua atuação em defesa do próprio Banco Master.
A Dinâmica do Possível Conflito
O cruzamento dessas informações sugere uma operação triangular. Na prática, a contratação das aeronaves gerava um custo que era abatido do valor que o Banco Master devia ao escritório de Viviane. Consequentemente, os valores eram repassados aos proprietários dos jatos em uma espécie de conta-corrente de débitos e créditos.
A controvérsia central reside no fato de que o ministro Alexandre de Moraes utilizou essas aeronaves (muitas vezes sozinho) enquanto continuava a atuar como julgador em processos de interesse do Banco Master no STF, situação que levanta sérios debates sobre imparcialidade.
O Questionamento Ético
O comentário de João Luiz Mauad, que baseou a repercussão do caso, encerra com uma reflexão sobre as regras de conduta da Suprema Corte em comparação com o mercado corporativo:
“Em resumo (…), Alexandre utilizava jatinhos pagos indiretamente pela instituição financeira com a qual sua esposa tinha contrato, mas isso não o impediu de continuar julgando processos do interesse do Banco, sem que isso representasse qualquer conflito de interesse. Será que, se o STF tivesse algum tipo de manual de compliance, como aquele que a doutora alega ter produzido para o Banco Master (…), esse tipo de conduta seria permitido?”





