Documentos apontam nova revelação envolvendo Moraes e Vorcaro
Documentos obtidos a partir de um cruzamento de dados oficiais indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, realizaram ao menos oito viagens em aeronaves associadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero.
As informações foram identificadas por meio de registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e do Registro Aeronáutico Brasileiro, conforme apuração inicialmente divulgada pela Folha de S.Paulo.
Detalhes dos Voos e Aeronaves
De acordo com os relatórios, os deslocamentos envolveram diferentes empresas e tipos de autorização:
Prime Aviation: Sete das oito viagens teriam ocorrido em aeronaves operadas por esta empresa, que é ligada ao fundo Patrimonial Blue (do qual Vorcaro era sócio). Estas aeronaves possuem autorização regular para atuar no serviço de táxi-aéreo, o que permite a contratação comercial por terceiros.
Voo sem autorização de táxi-aéreo: Um deslocamento específico, realizado em 7 de agosto de 2025, tem chamado a atenção das autoridades. A viagem teria sido feita em um jato Dassault Falcon 2000 (prefixo PS-FSW) pertencente à empresa FSW SPE, que não possui autorização para operar serviços comerciais de transporte. Um dos sócios da aeronave é Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Zettel também foi preso no âmbito da mesma operação e negocia um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal.
Respostas e Posicionamentos
Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou publicamente sobre o caso. A defesa de Daniel Vorcaro optou por não comentar o assunto, enquanto o advogado de Fabiano Zettel não respondeu aos questionamentos. A Prime Aviation, por sua vez, informou que não divulga dados sobre seus clientes, alegando dever de confidencialidade e cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Em nota oficial, o escritório Barci de Moraes (pertencente a Viviane Barci de Moraes) apresentou sua versão sobre os fatos:
Contratação regular: O escritório declarou que realiza a contratação de diferentes serviços de táxi-aéreo — incluindo, ocasionalmente, a Prime Aviation —, e que essas escolhas seguem critérios estritamente técnicos, sem relação pessoal com os proprietários.
Forma de pagamento: Destacou que os pagamentos pelos serviços foram realizados conforme contratos advocatícios, por meio de compensação de honorários.
Ausência dos investigados: A nota afirma categoricamente que não houve a presença de Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel nos voos, e que nenhum membro do escritório possui relação ou contato com Zettel.
Contestação dos dados: Por fim, a defesa questionou a precisão das informações veiculadas, argumentando que os relatórios não apresentam provas detalhadas de embarque, baseando-se apenas em inferências sobre a presença nas bases aéreas.





