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Master pagou por compliance 645 vezes mais à Viviane Barci em relação a outros advogados, revela levantamento

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. O objetivo oficial do acordo milionário seria a atuação na produção e revisão das políticas de compliance da instituição financeira.

No entanto, um levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) trouxe à tona uma disparidade alarmante: o valor pago ao escritório de Viviane chega a ser 645 vezes maior do que o montante pago a outros profissionais do setor, ouvidos pela reportagem, que afirmam ter realizado partes semelhantes do mesmo trabalho.

A Justificativa e a Realidade

De acordo com as informações divulgadas pela defesa do escritório Barci de Moraes, uma equipe composta por 15 pessoas teria sido a responsável por elaborar, revisar e implementar as complexas normas internas do banco, o que incluiu a criação de um novo código de ética. Parte considerável dos serviços também envolveria a revisão de políticas de compliance que já existiam na instituição.

Porém, os relatos de profissionais da área, ouvidos pelo jornal, indicam que trabalhos de escopo similar haviam sido realizados anteriormente por valores significativamente menores. Um desses advogados relatou ter recebido R$ 200 mil pela elaboração de duas políticas de compliance — e uma dessas políticas, segundo o levantamento, teria sido posteriormente apenas “revisada” pela equipe ligada a Viviane Barci.

Documentos Contradizem Versão Oficial

A análise de documentos e registros internos do banco levanta ainda mais suspeitas. Diversas políticas que foram atribuídas ao escopo do contrato milionário de Viviane foram, na prática, elaboradas por funcionários do próprio Banco Master ou por outros escritórios de advocacia contratados.

Em alguns casos documentados, os registros indicam que a produção dessas normas ocorreu exatamente durante o período em que o escritório de Viviane Barci já estava prestando serviços ao banco.

Diante do volume de evidências apresentadas pelo levantamento, fica a nítida impressão de que o Banco Master pagou cifras exorbitantes por serviços que, em grande parte, não foram integralmente realizados pelo escritório ou que sequer estavam relacionados no tal contrato de R$ 129 milhões.

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Bruno Rigacci

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