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Combustíveis têm a quarta alta seguida em poucos dias

Os preços dos combustíveis continuam em trajetória de forte elevação nos postos de todo o país, acumulando já quatro semanas consecutivas de alta. Dados divulgados nesta sexta-feira (27) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmam o avanço pesado, refletindo tanto fatores internos quanto pressões severas do cenário internacional.

Diesel e Gasolina em disparada

Entre os derivados de petróleo, o diesel S10 apresentou um dos aumentos mais expressivos. No período de 22 a 28 de março, o litro alcançou média nacional de R$ 6,78, representando uma alta semanal de 2,9%. Em comparação com o período anterior ao início do conflito no Oriente Médio, o crescimento chega a impressionantes 24,3%.

O impacto nas bombas varia de acordo com a região. Em situações pontuais, como na cidade de Ourinhos, no interior paulista, o preço chegou a R$ 9,99 por litro — um valor que ilustra a disparidade regional e as graves distorções locais de mercado.

A gasolina também registrou elevação, ainda que em ritmo mais moderado. O preço médio nacional atingiu igualmente R$ 6,78 por litro, com avanço de 1,9% na semana e aumento acumulado de 7,9% ao longo de março. No litoral paulista, especificamente no Guarujá, o combustível foi encontrado por até R$ 9,39, demonstrando novamente o peso dos gargalos logísticos e de distribuição na ponta final.

O Peso do Gás de Cozinha

Outro item essencial que afeta diretamente o orçamento das famílias brasileiras, o gás de cozinha, voltou a subir após um período de relativa estabilidade. O botijão de 13 quilos teve um reajuste de 1,9%, passando a custar, em média, R$ 110,80 no país.

Em algumas localidades, no entanto, o cenário é mais crítico. Em Ilhéus (BA), o valor chegou a bater R$ 150, evidenciando a pressão adicional sobre regiões específicas, como o Nordeste, onde o custo final acaba sendo muito influenciado por longos trajetos de transporte e pela menor concorrência.

O Fator Internacional e as Ações do Governo

Esse forte movimento de alta está diretamente ligado ao ambiente externo. A intensificação contínua das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel tem gerado enorme instabilidade no mercado global de petróleo. O barril da commodity superou a marca de US$ 115, impulsionado por graves riscos logísticos no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e que sofre ameaças de fechamento.

Diante desse cenário de crise iminente, a ANP informou ter reforçado as ações de fiscalização. Desde o dia 9 de março, mais de 3 mil postos de combustíveis e diversas distribuidoras foram inspecionados para evitar práticas abusivas.

Por sua vez, o governo Lula sustenta a narrativa de que há estoque suficiente para atender à demanda interna ao longo de abril, minimizando a volatilidade nos preços. Paralelamente, a agência reguladora avançou na regulamentação da metodologia do Preço de Referência (PR), prevista em Medida Provisória, que tenta estabelecer diretrizes para uma futura concessão de subsídios ao diesel.

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Bruno Rigacci

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