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Estranhamente, Moraes impõe restrições ao uso de dados do Coaf em investigações

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (27) impor restrições ao compartilhamento de dados financeiros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em uma medida que pode impactar fortemente investigações em andamento no país.

A decisão estabelece que relatórios de inteligência financeira (RIFs) só poderão ser acessados quando houver uma investigação formal aberta — como um inquérito policial, procedimento investigatório criminal do Ministério Público ou processo administrativo de natureza sancionadora.

A nova regra vale tanto para pedidos feitos por autoridades judiciais quanto para Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e CPMIs.

Novas exigências e proibições

Pelos novos critérios definidos pelo ministro, as solicitações deverão obrigatoriamente:

  • Indicar a pessoa física ou jurídica investigada;

  • Demonstrar vínculo direto entre os dados requisitados e o objeto da apuração.

O ministro também proibiu expressamente o uso de informações do Coaf em procedimentos sem natureza penal, como apurações preliminares ou informais.

A decisão foi tomada no âmbito de um recurso que discute a legalidade do compartilhamento de dados financeiros sem autorização judicial. O tema tem repercussão geral reconhecida, o que significa que o entendimento a ser fixado pelo STF deverá orientar casos semelhantes em todos os tribunais do país.

Risco de anulação de provas

No despacho, Moraes foi categórico ao afirmar que o descumprimento das novas regras torna ilegais as provas obtidas a partir dos relatórios:

“A ausência da estrita observância dos requisitos previstos na presente decisão afasta a legitimidade constitucional do uso das informações […] e constitui ilicitude da prova produzida”, escreveu o ministro.

Esse trecho abre espaço imediato para questionamentos jurídicos sobre investigações já em curso, trazendo a possibilidade real de anulação de provas que não tenham seguido os parâmetros agora estabelecidos.

A decisão tem efeito imediato e já foi comunicada a tribunais, Ministérios Públicos e órgãos de controle em todo o país. O julgamento definitivo do caso, no entanto, ainda será feito pelo plenário do STF. Para muitos analistas, parece que a intenção prática da medida é dificultar ao máximo o avanço das investigações.

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Bruno Rigacci

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