CPMI acua STF: Rastro telefônico liga banqueiro investigado diretamente ao gabinete de Moraes
O cerco começa a se fechar em torno das relações obscuras entre a alta cúpula do Judiciário e o mercado financeiro. Nesta sexta-feira (20), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS trouxe a público uma descoberta explosiva que promete abalar as estruturas do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os investigadores da CPMI, cruzando dados telefônicos, confirmaram a existência de um número de celular funcional pertencente ao STF salvo na agenda do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O detalhe que chamou a atenção? O contato estava registrado no celular do empresário simplesmente como: “Alexandre de Moraes Brasília”.
A Coincidência de Datas
As informações, inicialmente divulgadas pelo SBT News, são irrefutáveis e foram extraídas do Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (Sittel) do Ministério Público.
A documentação oficial não apenas aponta o Supremo como titular da linha, mas revela uma coincidência temporal espantosa: o número foi ativado no dia 22 de fevereiro de 2017, exatamente a mesma data em que o Senado Federal aprovou a nomeação de Alexandre de Moraes para o cargo de ministro do STF.
As Mensagens do Pânico
O aprofundamento da investigação revelou que essa não era apenas uma anotação esquecida em uma agenda. Conforme revelado em reportagem do jornal O Globo, houve intensa troca de mensagens entre esse número e o banqueiro Daniel Vorcaro em novembro passado.
O conteúdo das conversas é ainda mais perturbador por conta de seu contexto. Poucas horas antes de Vorcaro ser preso por determinação judicial, uma mensagem de “visualização única” foi enviada do número em questão para o celular do banqueiro, perguntando:
“Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Parlamentares que costumam conversar frequentemente com Moraes confirmaram que o número encontrado no telefone de Vorcaro correspondia, de fato, ao utilizado pelo ministro até fevereiro deste ano (quando o magistrado supostamente trocou de aparelho).
A Versão do Ministro e a Ofensiva da CPMI
Diante das provas, Alexandre de Moraes divulgou uma nota pública tentando se esquivar. O ministro alegou que uma “análise técnica” interna do Supremo concluiu que as imagens das mensagens do dia da prisão “não conferem” com seus registros autênticos.
A desculpa, no entanto, não colou na CPMI. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu colocar o Supremo contra a parede. Em ofício enviado diretamente à Corte, Viana estabeleceu um prazo de dois dias úteis (até a próxima segunda-feira, dia 23) para que o STF informe, oficialmente, quem utilizou aquela linha telefônica funcional entre janeiro de 2021 e março de 2026.
A CPMI do INSS avança com passos firmes para descobrir se houve, de fato, comunicações e proteção indevida entre a cúpula do Judiciário e o investigado Banco Master. O Brasil aguarda a resposta do Supremo.





