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“Bom juiz não é estrela”: O recado direto de André Mendonça que ecoou nos corredores do STF

Em meio a um Supremo Tribunal Federal (STF) cada vez mais marcado pelo ativismo e pelo protagonismo exacerbado de alguns de seus membros, o ministro André Mendonça fez declarações que soaram como uma verdadeira carapuça para certos colegas de toga.

Durante um evento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro, com o tema “Os desafios da advocacia no século XXI”, Mendonça aproveitou o palanque para traçar um perfil do que considera ser a conduta ideal de um magistrado. Sem citar nomes, as indiretas foram pesadas e cirúrgicas.

O Fim do Juiz-Celebridade?

O ponto alto do discurso foi a crítica à vaidade dentro do Judiciário. Mendonça foi categórico ao afirmar que a busca por holofotes e manchetes é incompatível com a balança da Justiça.

“Bom juiz não é estrela”, disparou o ministro.

Ele reforçou que a toga exige consciência das próprias limitações. “Como eu sou cristão, peço que julgue da forma certa, reconhecendo que não somos perfeitos” — uma frase que constrasta fortemente com a postura de “infalibilidade” frequentemente adotada por outras figuras de Brasília.

Coragem vs. Arrogância

Outro recado claro de Mendonça pareceu endereçado àqueles que confundem autoridade com autoritarismo. Para ele, tomar decisões difíceis faz parte do cargo, assim como a humildade para reconhecer e corrigir erros (“pedir desculpas e corrigir a rota”).

Ao definir o que é coragem, a indireta ficou ainda mais nítida:

“Coragem é a capacidade de, no meio da adversidade, ter tranquilidade para decidir. Não é falar alto, ser arrogante ou subir o tom. Coragem não é irracionalidade.”

Ele emendou afirmando que “humildade não é fraqueza, é grandeza. É saber que, no fundo, você não é mais do que ninguém.”

Estratégia e Resiliência

Relembrando sua difícil sabatina no Senado em 2021, quando enfrentou forte resistência do “sistema”, Mendonça explicou sua postura de cautela e cálculo político.

“Se eu aumentasse a força antes da marcação, ia aumentar a carga contra mim. Só depois de marcada iria demonstrar força.” Essa mesma paciência estratégica parece estar sendo aplicada agora, especialmente em suas recentes atuações ágeis (como no caso da delação do Banco Master), onde age com precisão e sem alarde.

O discurso de Mendonça deixa claro que, para ele, o STF não é um palco, e os ministros são, antes de tudo, servidores públicos. Resta saber se os “astros” da Praça dos Três Poderes captaram a mensagem.

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Bruno Rigacci

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