Jornalista aponta influência de Lula na contratação de Guido Mantega pelo Banco Master
O envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as figuras centrais do “Caso Master” ganhou um novo desdobramento. Segundo informações reveladas pelo jornalista Claudio Dantas, a contratação do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo banqueiro Daniel Vorcaro teve participação ativa do próprio presidente da República.
A nomeação de Mantega ao cargo de “consultor de luxo” no Banco Master — com rendimentos mensais estimados em R$ 1 milhão — teria sido articulada como uma espécie de “prêmio de consolação”.
O caminho até o Master
De acordo com a reportagem, antes de ser abrigado por Vorcaro, o Planalto tentou por meses emplacar Mantega na Vale. A intenção inicial era colocá-lo como presidente da mineradora, substituindo Eduardo Bartolomeo, e posteriormente como integrante do Conselho de Administração.
Os objetivos dessa manobra, segundo Dantas, seriam dois:
Retomar a influência estatal direta sobre o caixa e a política de investimentos da Vale.
Compensar politicamente o ex-ministro.
No entanto, a resistência dos acionistas da Vale (que tem capital aberto em bolsa) impediu a nomeação. Diante do revés, Mantega precisou soltar um comunicado em janeiro de 2024 afirmando que havia desistido da vaga na mineradora.
O “Plano B” de R$ 1 milhão
A alternativa foi acionar Daniel Vorcaro. Segundo a matéria, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, com o apoio do sócio Augusto Lima, fez a “ponte” para a contratação, mas sempre com o respaldo e a iniciativa presidencial.
“Vorcaro então foi acionado por Wagner (…) presenteando Mantega com um contrato de R$ 1 milhão mensais – cerca de um quarto do que receberia no comando da Vale. O contrato foi assinado em março de 2024, mas o acerto foi feito antes”, detalha a reportagem.
Um fato que chama a atenção na linha do tempo apresentada é que a desistência pública de Mantega sobre a vaga na Vale ocorreu apenas um mês após a primeira visita (não registrada na agenda oficial) de Daniel Vorcaro ao Palácio do Planalto.
Dessa forma, conclui o jornalista, o contrato milionário de consultoria que o ex-ministro obteve no banco investigado “foi resultado de iniciativa presidencial, contando com ciência e respaldo do próprio Lula”.





