Relato: 1ª vítima do inquérito das Fake News relembra depoimento à Polícia Federal
O editorial resgata um episódio ocorrido em 14 de março de 2019, marcando o que o texto define como um momento crítico para a liberdade de imprensa no Brasil. O foco da matéria é o relato do jornalista Mario Sabino, então publisher da revista Crusoé, sobre sua convocação para depor na Polícia Federal no âmbito do recém-criado Inquérito das Fake News, conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O Estopim da Convocação
A intimação, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, ocorreu após a Crusoé publicar uma reportagem baseada em um documento da Operação Lava Jato. No documento, o empreiteiro Marcelo Odebrecht referia-se ao ministro Dias Toffoli (então presidente do STF) pelo codinome “o amigo do amigo de meu pai”.
Os Detalhes do Relato de Mario Sabino (2019)
O texto republica um artigo escrito por Sabino à época, onde ele detalha os bastidores da intimação e tece duras críticas à condução do processo:
Incerteza na Polícia Federal: Sabino relata que o próprio delegado encarregado de ouvi-lo não sabia informar se ele estava ali na condição de investigado ou testemunha. O delegado teria afirmado desconhecer o teor exato da investigação devido ao sigilo imposto pelo inquérito.
Acusação de Censura: O jornalista classifica o inquérito como “sigiloso e inconstitucional”, argumentando que seu verdadeiro objetivo não era combater notícias falsas, mas sim intimidar veículos de imprensa que publicassem reportagens sobre ministros do STF.
Rebate a Dias Toffoli: Sabino responde a declarações dadas por Toffoli ao jornal Valor Econômico. O ministro havia acusado os veículos (Crusoé e O Antagonista) de orquestrarem “narrativas inverídicas” e de serem “imprensa comprada”. Sabino refutou as alegações, afirmando que os veículos não recebiam “mesada” e que Toffoli havia omitido as datas reais em que os documentos da Odebrecht foram anexados aos autos.
Apoio Institucional: O jornalista destaca que a tentativa de censura gerou o efeito reverso, unindo grandes jornais, emissoras, juristas e entidades de classe em defesa da liberdade de imprensa.
O Contexto Atual
A introdução do editorial do Jornal da Cidade Online faz uma ponte entre o caso de 2019 e o cenário atual. O autor do texto argumenta que, sete anos depois, o inquérito continua fazendo vítimas, citando o caso recente de um jornalista que teria sido alvo após denunciar o uso indevido de um carro oficial ligado à família de Flávio Dino.





