CPMI retorna e mira Lulinha e a mesada que recebia do “Careca do INSS”

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retoma suas atividades nesta quarta-feira (05), e o foco das investigações deve recair pesadamente sobre Fábio Lula da Silva, o “Lulinha”, filho do presidente Lula. Parlamentares da oposição já articulam uma manobra para estender os trabalhos por mais 60 dias, visando aprofundar a apuração sobre o suposto envolvimento de Lulinha no esquema.

“Sócio Oculto” e Diálogos Suspeitos

O interesse da comissão se intensificou após a Polícia Federal (PF) informar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga se Lulinha atuaria como “sócio oculto” de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, apontado como a figura central das fraudes previdenciárias.

Em documentos enviados ao STF, a PF destaca diálogos interceptados que sugerem um vínculo indireto entre eles. As conversas envolvem a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha e de sua esposa. Em uma das mensagens, Roberta tenta acalmar o “Careca” comparando a situação atual com investigações passadas envolvendo o filho do presidente: “Na época do Fábio falaram de Friboi, de um monte de coisa… igual agora com você”.

Outro ponto crítico é uma transação de R$ 300 mil feita a mando de Antônio Camilo para a empresa de Roberta Luchsinger. Quando questionado sobre o destinatário, o “Careca” teria respondido apenas: “o filho do rapaz”.

Blindagem e Tensão Política

A possível convocação de Lulinha enfrenta forte resistência política. Em dezembro, um requerimento para ouvi-lo foi rejeitado, mas novos pedidos aguardam votação. A oposição vê na extensão da CPMI uma oportunidade de desgastar o governo Lula em pleno ano eleitoral, enquanto aliados do Planalto e do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tentam blindar figuras próximas.

Alcolumbre, peça-chave na articulação política, teria atuado para proteger seu ex-chefe de gabinete, Paulo Boudens, também citado em relatórios do Coaf por receber valores suspeitos. Em uma troca de favores, a base governista teria ajudado a barrar a convocação de Frei Chico, irmão de Lula.

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Bruno Rigacci

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