O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, subiu o tom nesta terça-feira (9) ao declarar que a legenda pode “parar o Congresso Nacional” caso a proposta de anistia aos envolvidos na suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 não avance. A declaração foi feita em entrevista à Rádio Eldorado, em meio ao acirramento da tensão política e ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) de Jair Bolsonaro e outros sete réus ligados ao chamado “núcleo duro” da articulação golpista.
“Se não votarem a anistia, nós vamos parar o Congresso. Hoje temos maioria para isso. Não queríamos dar prejuízo ao país, evidentemente que não, mas nós vamos ter que parar, porque nós não temos outra arma, e nós temos que fazer alguma coisa”, afirmou Valdemar.
O dirigente também foi claro ao rejeitar qualquer tipo de flexibilização no texto. Apesar de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já ter sinalizado rejeição à anistia “ampla, geral e irrestrita”, Valdemar disse que não há margem para negociação. “Não. Não vamos ceder”, cravou.
Evita ataque direto ao STF, mas endossa críticas de Tarcísio
Durante a entrevista, Valdemar foi questionado sobre as recentes declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que no último domingo (7) chamou o ministro Alexandre de Moraes de “tirano” durante um ato público na Avenida Paulista. Sem endossar abertamente o ataque, Valdemar classificou a fala como “natural” e disse entender a reação.
“Meu advogado me orientou a não atacar nenhum ministro do Supremo, e ele tem razão nisso. Nós temos que respeitar o Supremo, mas é uma loucura o que está acontecendo”, disse.
PL mantém aposta na anistia para reabilitar Bolsonaro
Valdemar também foi questionado sobre os caminhos do PL nas eleições de 2026, caso Bolsonaro continue inelegível. Ele afirmou que a aposta do partido é na aprovação da anistia, que poderia reabilitar o ex-presidente politicamente. No entanto, caso isso não ocorra, caberá a Bolsonaro escolher o sucessor.
“Se ele não puder ser candidato, ele vai escolher quem será o candidato e quem será o vice. Mas nossa expectativa é reverter isso com a anistia”, disse.
“Esperança no Trump”: bandeira dos EUA como símbolo
Outro ponto controverso da entrevista foi a defesa da presença da bandeira dos Estados Unidos nas manifestações do 7 de Setembro. O gesto, criticado até por aliados como o pastor Silas Malafaia, foi interpretado como inadequado e usado politicamente por adversários. Valdemar, porém, não apenas defendeu o uso da bandeira americana, como declarou esperar apoio do presidente dos EUA, Donald Trump.
“Adorei quando vi a bandeira americana na rua. Por quê? (…) Isso vai chegar para o Trump, para ele ver que o povo brasileiro não é contra os americanos. Nós os queremos do nosso lado, e precisamos dele hoje, porque não temos a quem recorrer.”
Contexto político
As declarações de Valdemar ocorrem em meio ao julgamento dos principais aliados de Bolsonaro no STF. O ex-presidente é acusado de planejar e incentivar uma tentativa de golpe de Estado, e pode ser condenado por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa.
Além de Bolsonaro, os réus do “núcleo 1” incluem militares de alta patente e ex-ministros, como Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Almir Garnier, e o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.
A proposta de anistia — que precisa passar por aprovação no Congresso Nacional — encontra forte resistência entre parlamentares da base do governo e do chamado “centrão moderado”. A pressão do PL deve acirrar ainda mais a disputa nos próximos meses.



